BloGEO – Prof. Rogerio

Entradas do Maio 2008

Dia do Geógrafo

29 Mai, 2008 · 11 Comentários

Pouca gente sabe ou se lembra, mas hoje, 29 de Maio, comemora-se o dia do geógrafo. Comemora-se é a expressão correta, pois deixa vago e oculto o sujeito da ação. Minha profissão e área de conhecimento é uma das mais desprezadas e desprestigiadas em nosso país, infelizmente.

Mas eu não deixo me levar por isso, não. Sou geógrafo e me orgulho muito disso! Se ao menos EU não escrevesse um post sobre isso, aí sim ficaria feia a coisa. O que me entristece, não é a falta de valor que a sociedade em geral dá à minha profissão. Fico perplexo é quando percebo alguns geógrafos, se desmerecendo uns aos outros e perante à todos. Mas acho que isso deva acontecer em quase todas as profissões, não?

Para celebrar meu dia (profissional), vou publicar um texto de autoria do filósofo e cientista político Emir Sader, que tem um trecho que exprime muito bem o sentido de ser da geografia. Destaquei o trecho em questão em negrito. Aí vai:

O que é ser politizado
Emir Sader (Revista Caros Amigos de abril de 2007)

“Ser politizado é entender como funcionam as relações de poder em cada sociedade e no mundo em geral. É compreender que, por trás das relações de troca no mercado existem relações de exploração. Que, por trás das relações de voto, existem relações de dominação. Que, por trás das relações de informação, há um processo de alienação.

Ser politizado, no mundo de hoje, significa compreendê-Io no marco das relações capitalistas de acumulação e de exploração. Representa entender o mundo no marco da hegemonia imperial estadunidense, baseada na força militar e na propaganda do modo de vida estadunidense.

Ser politizado é compreender que tudo o que existe foi produzido historicamente, pelas relações entre os homens e o meio em que vivem. Ou melhor, entre os homens, intermediados pelo meio em que vivem. E que, portanto, tudo o que foi construído pelos homens pode ser desconstruído e reconstruído. Que tudo é histórico. Que a própria separação entre sujeito e objeto – que nos aparece como “dada” – é produzida e reproduzida cotidianamente mediante relações econômico-sociais alienadas.

Ser politizado é saber subordinar as contradições menores às estratégicas, saber que as contradições com o capitalismo são sempre também contra o imperialismo, pela fase histórica atual do capitalismo.

E o que é ser despolitizado
Já ser despolitizado é achar que as coisas são como são porque são como são, sempre foram assim e sempre serão. É considerar que as pessoas sempre buscam tirar vantagens que não têm grandeza para lutar desinteressamente por um mundo melhor. Que o que diferencia as pessoas é a ambição de melhorar na vida, que a grande maioria não tem jeito mesmo.

Entre o ser politizado e o despolitizado está a alienação, a falta de consciência da relação entre nós e o mundo. Alienar é entregar o que é nosso para outro – como diz a definição jurídica em relação a bens. Ser alienado é não perceber a presença do sujeito no objeto e vice-versa, sua vinculação indissolúvel.

A luta pela emancipação humana é uma luta contra toda forma de exploração, de dominação, de discriminação, mas, antes de tudo e sobretudo, uma luta contra a alienação – condição de todas as outras lutas”.

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Unasul sim! E daí?!

25 Mai, 2008 · 1 Comentário

Pois bem, mais uma sigla aparece no cenário geopolítico sul-americano: UNASUL. Que sentido real e prático ela terá? Aqui aparecem dois possíveis caminhos: um deles nos leva a crer que será apenas mais um órgão burocrático, superficial e que servirá apenas para preencher livros didáticos de geografia. Outro caminho, segue no sentido de uma efetiva integração econômica, política e de infra-estrutura para a América do Sul. Qual caminho a UNASUL irá trilhar? Pessoalmente, fazendo jús à minha fama de otimista, prefiro apostar na último. Entretando, como pesquisador e interessado no tema, acabo por murchar as orelhas e apostar que o primeiro será de fato o destino desse novo organismo.

Podemos começar utilizando de forma emblemática a falta de consenso na criação do Conselho de Defesa Sul-Americano proposto por Lula e rechaçado, principalmente pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que colocou como condição para o aceite, que todos os países do continente reconheçam as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como grupo terrorista. “Num país que tem sofrido tanto como a Colômbia, o continente deve atrever-se a qualificar como terrorista a todo grupo violento que atenta contra a democracia”, disse. Uribe expôs ao presidente Lula o que chamou de “ponto de reflexão ao diálogo”. Tendo o Chile iniciando a presidência rotativa do órgão, Michele Bachelet apresentou um prazo de 90 dias para a formalização de um projeto que levaria a solução dos impasses para a criação do inédito Conselho de Desefa.

Perguntas e possíveis resposta à UNASUL:

Quais são os desafios da Unasul?

Num primeiro momento, os governos parecem ter expectativas diversas sobre os resultados reais da Unasul.

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, disse que seu país tem três principais interesses nessa integração: energia, infra-estrutura e uma política comum de inclusão social.

Por sua vez, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou que a Bolívia espera que a Unasul não se limite às questões comerciais e trate da “união dos povos”.

Mas talvez o principal desafio da Unasul será colocar em prática suas medidas, como a integração energética, já que hoje o desafio entre quatro países –Brasil, Argentina, Bolívia e Chile– ainda não foi resolvido.

Questões bilaterais –ou trilaterais– também estão na lista de desafios da região.

Disputas territoriais entre Chile e Peru, da época da Guerra do Pacífico, no século 19, estão hoje no Tribunal Internacional de Haia. A Bolívia reivindica do Chile uma saída para o mar, perdida na mesma guerra do Pacífico.

Venezuela, Equador e Colômbia travam, desde março, uma disputa envolvendo as Farc (grupo guerrilheiro mais antigo do mundo, com mais de 40 anos) que ainda não teve conclusão.

Quais são os próximos passos?

No sistema de presidência temporária e rotativa, a próxima presidência caberia à Colômbia, que abriu mão do direito, que passará ao Chile.

Nos termos do Tratado, a Unasul terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados.

Haverá reuniões anuais de chefes de Estado e de Governo e reuniões semestrais do Conselho de Ministros de Relações Exteriores.

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Apresentação sobre Geomorfologia

12 Mai, 2008 · 6 Comentários

Esta apresentação trata de noções sobre geomorfologia, agentes formadores do relevo terrestre e terremotos. Uma síntese desses assuntos focando, principalmente, preparação para exames vestibulares. Bons estudos à todos!

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Apresentação sobre Domínios Morfoclimáticos Brasileiros

9 Mai, 2008 · 2 Comentários

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Apresentação sobre “Geografia dos Conflitos”

9 Mai, 2008 · Deixe um comentário

A apresentação procura demonstrar como a geografia e a geopolítica continuam vivas nas (re)definições de novos “espaços vitais” e pela dinâmica político-militar dos Territórios (territorializações, desterritorializações e reterritorializações) e por um fato essencialmente humano, a produção do espaço geográfico.

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Apresentação sobre Questão Ambiental

5 Mai, 2008 · 3 Comentários

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Mudança no Fuso Horário Brasileiro

5 Mai, 2008 · 16 Comentários

“Escolher o seu tempo é economizar”, escreveu o filósofo e ensaista inglês Francis Bacon. Parece que esse pensamento postulado no século XVII ainda exprime realidade e veracidade. O Senado federal aprovou um novo fuso horário na região Norte, dias depois de entrar em vigor a Portaria 1.220/07, determinando que as emissoras de TV devem adaptar suas transmissões aos diferentes fusos horários vigentes no país, em função da classificação indicativa dos programas. Esta classificação obriga as emissoras a informar a partir de que idade uma programação é recomendável. A Portaria 1.220/07 tem por objetivo atender ao Estatuto da Criança e do Adolescente, evitando a apresentação de programas inadequados para determinadas faixas etárias. A mudança de fuso horário vai conflitar com os hábitos culturais daquelas populações. A lei ainda precisa ser sancionada pelo presidente da República. Mas se o presidente Lula concordar, os estados da Região Norte adotariam o horário de Brasília.

A quem interessa esta mudança de horário? A essas pessoas que irão tirar dinheiro do bolso para pagar mais conta de energia? Foi feita uma consulta pública para saber se a maioria da população do Estado aceita a mudança? Claro que não! Se fizessem, a coisa poderia ser diferente. Talvez a idéia de mudança fosse descartada de imediato. Por enquanto apenas a expectativa dos empresários, banqueiros e outras pessoas que se sentem prejudicadas com o fechamento do movimento bancário mais cedo é que está sendo atendida. Apenas isso.

E tem os donos de empresas de comunicação locais que se recusam a pré-gravar a programação para se adequar ao horário atual. É que se tivessem que fazer isso teriam que fazer investimentos. No lugar de aproveitar a janela de 2 horas que têm a disposição à noite para colocar programação local, e faturar mais, eles preferem ser escravos das geradoras do sudeste. Por isso nunca vão deixar de ser o que são: meras repetidoras, funcionando em cubículos com meia dúzia de pessoas. Lucram mais sendo assim.

O Senador Tião Viana abraçou a idéia porque almeja o cargo máximo no Estado. Atendendo à classe empresarial ele poderá cobrar deles parte da conta de sua campanha eleitoral do ano que vem sem maiores constrangimentos. Claro que, sendo o provável eleito, outros políticos locais já correram para dizer que também “estão” com ele. A lealdade hoje pode render cargos amanhã. Junto com os políticos vão a reboque a mídia local, definitivamente amordaçada economicamente nesta questão, ou seja, sem grandes possibilidades de fomentar o debate franco e aberto. Uma pena pois, em um caso como esse, deveriam exercer o papel de imprensa.

Em tempo: com a mudança aprovada, o novo fuso horário brasileiro passará a ser assim:

Compare, no esquema abaixo, o novo fuso brasileiro, com o antigo.

É uma vergonha, ainda em nossos dias, termos exemplos de “neocoronelismo” como explicita essa mudança no fuso brasileiro.

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