Pois bem, mais uma sigla aparece no cenário geopolítico sul-americano: UNASUL. Que sentido real e prático ela terá? Aqui aparecem dois possíveis caminhos: um deles nos leva a crer que será apenas mais um órgão burocrático, superficial e que servirá apenas para preencher livros didáticos de geografia. Outro caminho, segue no sentido de uma efetiva integração econômica, política e de infra-estrutura para a América do Sul. Qual caminho a UNASUL irá trilhar? Pessoalmente, fazendo jús à minha fama de otimista, prefiro apostar na último. Entretando, como pesquisador e interessado no tema, acabo por murchar as orelhas e apostar que o primeiro será de fato o destino desse novo organismo.
Podemos começar utilizando de forma emblemática a falta de consenso na criação do Conselho de Defesa Sul-Americano proposto por Lula e rechaçado, principalmente pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que colocou como condição para o aceite, que todos os países do continente reconheçam as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como grupo terrorista. “Num país que tem sofrido tanto como a Colômbia, o continente deve atrever-se a qualificar como terrorista a todo grupo violento que atenta contra a democracia”, disse. Uribe expôs ao presidente Lula o que chamou de “ponto de reflexão ao diálogo”. Tendo o Chile iniciando a presidência rotativa do órgão, Michele Bachelet apresentou um prazo de 90 dias para a formalização de um projeto que levaria a solução dos impasses para a criação do inédito Conselho de Desefa.
Perguntas e possíveis resposta à UNASUL:
Quais são os desafios da Unasul?
Num primeiro momento, os governos parecem ter expectativas diversas sobre os resultados reais da Unasul.
O ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, disse que seu país tem três principais interesses nessa integração: energia, infra-estrutura e uma política comum de inclusão social.
Por sua vez, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou que a Bolívia espera que a Unasul não se limite às questões comerciais e trate da “união dos povos”.
Mas talvez o principal desafio da Unasul será colocar em prática suas medidas, como a integração energética, já que hoje o desafio entre quatro países –Brasil, Argentina, Bolívia e Chile– ainda não foi resolvido.
Questões bilaterais –ou trilaterais– também estão na lista de desafios da região.
Disputas territoriais entre Chile e Peru, da época da Guerra do Pacífico, no século 19, estão hoje no Tribunal Internacional de Haia. A Bolívia reivindica do Chile uma saída para o mar, perdida na mesma guerra do Pacífico.
Venezuela, Equador e Colômbia travam, desde março, uma disputa envolvendo as Farc (grupo guerrilheiro mais antigo do mundo, com mais de 40 anos) que ainda não teve conclusão.
Quais são os próximos passos?
No sistema de presidência temporária e rotativa, a próxima presidência caberia à Colômbia, que abriu mão do direito, que passará ao Chile.
Nos termos do Tratado, a Unasul terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados.
Haverá reuniões anuais de chefes de Estado e de Governo e reuniões semestrais do Conselho de Ministros de Relações Exteriores.












